Somos loucos sem coordenadas.Velhos discos de vinil sem agulha.Intelectuais de mente cheia e malas vazias,despojos de guerra de chumbo,bagagem de cimento. Perdi a beleza do são por nascer com a loucura do crente. Preciso de mais, preciso de tanto mais.
Então fugi. A vassalagem do pássaro-de-àgua no parapeito,o vestido rendado sobre a cadeira,as cicatrizes de crude. Sei-os de cor. Enquanto as sombras esguias brincavam na noite,fugi na nesga de luz. num contra-senso de uma necessidade de ser. Fiz das cicatrizes memórias aprendizes,do abutre dorido o meu ensinamento e engrandeci os pícaros da ingenuidade à média-luz da minha ignorância.
Amo-te Mundo,amo-te Loucura!
E saí pelo portão grande para a Noite,onde o reflexo da Lua sopra a bússola para Oeste e crava a minha sina ao velho desconhecido. Num grito rouco: "Preciso de mais,preciso de tanto mais!"
Texto escrito por: Raquel Serra
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